20181109

MANIFESTO DO AMOR ENQUANTO ILUSÃO NECESSÁRIA

Ultimamente tenho pensado muito na natureza do amor enquanto forma de ilusão necessária.
O homem ama ficções e por isso ama a música, a poesia e a arte.
Nietzsche dizia que a existência da arte servia para conseguirmos suportar a verdade do mundo.
Ora, eu acho que o amor serve exatamente para o mesmo.

Há quem suporte o mundo escolhendo acreditar em deus. Eu, como ateia e pessimista, estranhamente decido acreditar no amor. É uma escolha consciente e faço-a com a esperança de que um dia o deixe de ser. O amor é o sentimento mais parecido que conheço com a felicidade e é uma ilusão que me sinto capaz de manter para sempre. Aliás, sinto-me tão capaz ao ponto de me influenciar a mim mesma a acreditar puramente nela e a fazer com que as pessoas em meu redor o façam também. Neste ato de crença coletiva sinto que o mundo se pode tornar um lugar melhor.
Perpétuo esta ficção quando olho para o João todos os dias e lhe dou o melhor de mim, e por algum motivo recebo sempre o melhor do João de volta. Sinto que também ele quer perpetuar comigo esta ilusão necessária, por acreditar, que acreditar em nós é um caminho para a felicidade.


Diria que é uma sincronia do bem.


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Um senhor disse : "O melhor lugar do mundo, para mim, é dentro da reciprocidade."


e eu tenho a dizer que para mim também.