20100317

São nove e vinte. A ponte vinte cinco de Abril nunca me pareceu tão longa, tão retrospectiva , tão desencorajadora.
hoje estou assim , incapaz de calar qualquer objecto de pensamento.
Tento distrair-me cansando a vista com as linhas do comboio, é inútil.
Sei que isto são pessoas, é a intensidade destas que aqui está, na minha cabeça.
Analiso tudo o que amo no ser humano. chego à conclusão que tudo é inventado, não somos reais.
Não concordo com o que pensas de mim, sou tão realmente inferior ao que dizes, e se assim é, também tu és imperfeito, e o que eu penso são meras projecções de película da minha mente.
Perfeição não existe, mas isso eu sempre soube. não existem também qualidades que não sejam fruto da nossa cegueira mental criada pela força magnética das atracções.
Ímanes do nosso crânio, fazem-nos supostamente amar algo ou alguém, quando nem sequer conhecemos a natureza dos homens.
E isto cria-me insónias, e por isso quero o fumo, quero os túneis, quero o som imperceptível de uma multidão, quero permanecer imóvel onde todos correm, quero um sol de noite, quero deitar-me no vácuo, quero dormir.